sábado, 28 de abril de 2018

Dicas para Degustação


Dicas para a Degustação



O mundo da cachaça têm mudado de forma tão acelerada que muitas vezes esquecemos de abordar temáticas simples, como por exemplo dicas e observações sobre degustações.

Minhas primeiras degustações foram feitas na loja Tonel e Pinga, agora “Rei da Cachaça” do querido Tito Moraes. Além de distribuidor e conhecedor do mundo das pingas, Tito se tornou produtor da excelente Cachaça Tiziu, de Salinas.

Com as degustações da Confraria de Cachaça do Copo Furado aprendi um pouco mais de sistematização do procedimento com algumas dicas que devo colocar por aqui. Posteriormente vieram os cursos de análise sensorial com o Dr Luigi Odello e o de utilização da roda sensorial, com a Dra Aline Bortolletto.

Lembro que degustação é uma procedimento diferente da análise sensorial e vou explicar porque: a análise sensorial é um procedimento técnico que geralmente segue etapas bem definidas, tendendo a ser feito às cegas (sem identificação alguma) buscando a maior neutralidade possível. É um procedimento de avaliação e em alguns casos comparação.  

Por ser um procedimento técnico costuma ser feito com taças adequadas (copo ISO ou o próprio pra cachaça) com uma pré-produção mínima (numeração das taças ou garrafas, formulário de avaliação...) e com um condutor da degustação. 

Na análise sensorial as cachaças passam a ser chamadas simplesmente de “amostras”.

Ousaria dizer que a degustação é uma atividade social. Tem gente que vai jogar baralho, tem gente que vai à praia com os amigos, outros vão à degustação. Mesmo sendo menos criteriosa que uma análise sensorial técnica, a degustação tem elementos comuns à análise sensorial como os “tira –gostos” (prefiro os caldinhos de feijão da degustação do que as torradas da análise sensorial), a presença da água e a comparação. Vamos lá:

1 - Evite perfumes ativos para a degustação





Geralmente passamos perfume nos pulsos. Esta é a parte que será levada às narinas quando você for experimentar a cachaça. Um perfume muito ativo pode além de atrapalhar os outros, lhe atrapalhar na percepção de elementos básicos de olfato, e vai influenciar sua degustação.

2- O Preparo Físico


Se você for para uma pescaria ou uma corrida pela manhã, não vai ficar acordado até tarde na véspera achando que no dia seguinte o rendimento é igual, não é mesmo? Uma noite mal dormida ou mesmo uma misturada de bebidas da noite anterior vai influenciar certamente sua degustação. Outro elemento que se modifica com o preparo físico é o olfato. Ir para uma degustação com uma das narinas entupidas ou espirrando muito é algo ruim e que com o álcool pode piorar, já que este mexe com o sistema imunológico.

3- Beba Água


A hidratação faz parte do preparo físico portanto, entre uma dose e outra, sempre um gole de água.  No calor carioca costumo beber água com gás com um pedaço de limão ou laranja e geralmente dá super certo. Você pode degustar acompanhado de outras bebidas mas lembro que água não é cerveja nem caipirinha e que estas últimas desidratam, mas se você conhece o ritmo das bebidas e se garante, vai lá, certo de que o seu ritmo pode não ser o ritmo do coletivo e de que a degustação é um evento social.

4- Beba com os Olhos


Amostras de "brancas"   


É fundamental ler os rótulos e contra-rótulos! Algumas garrafas possuem livretinhos de apresentação com o local de procedência, graduação alcoólica, se é estandardizada, com maiores dicas do tipo de destilado, da região e histórico do produtor...enfim, é fundamental.
Uma breve observação da limpidez na garrafa já adianta muito em ver se a mesma foi bem filtrada, se está com turbidez, ou se possui partículas que somem com a movimentação.

Copos de cafezinho de plástico (aquele branquinho frisado de 50ml) geralmente não permitem maiores observações, principalmente de viscosidade. O shot (60ml) é o mais comum , mas se puder utilize um copo de parede mais alta. Até o copo de “geléia” vai oferecer mais percepção do que um copo escuro ou opaco.

5- Organize-se


Uma degustação é um ritual. Se você começar com cachaças muito amadeiradas, talvez não perceba o efeito de transformação proporcionado pela madeira do tonel na bebida. Portanto, comece com as brancas, preferencialmente de inox e vá gradualmente passando pelas mais amadeiradas.

Exemplo:
Inox, Amendoim, Jequitibá, Carvalho, Imburana, blends.

Esta ordem  é só uma sugestão pois amadeiramento é outra seara que varia de acordo com volume do recipiente, tempo, qualidade do recipiente, tipo de madeira....


Referências de amadeiramento


6- Barriga cheia até cachaça amarga


Comer faz parte da degustação mas se você estiver ligeiramente com fome, como mais para o fim da manhã, você tem como estimular mais os sentidos e com isso perceber um pouco mais de informações. Depois da " abrideira"alimenta-se! Estar alimentado faz parte do preparo físico.

7- A degustação é social então socialize


O brinde é um rito de celebração ao encontro, quem perde o brinde ou está atrasado, ou está tomando remédio ou não está na mesma sintonia do grupo.
Diferente de uma análise sensorial em uma degustação a conversa é o melhor tira-gosto. Converse!
Nestas conversas aprendemos muito também sobre as novidades, sugestões de colegas e claro, sobre conhecimentos gerais (arte, futebol, a história dos lugares e das pessoas). 
As confrarias têm muito a ensinar neste sentido. 

8- As Coisas Acabam




É triste lembrar, mas as coisas acabam. Duas a três horas de degustação em um ambiente agradável é um tempo ideal. 

Neste período procure fazer suas avaliações: qual foi a cachaça que mais impressionou? Qual se destacou na degustação? Qual decepcionou? Qual quer comprar? Qual recomenda? Qual marcou? Qual o melhor custo-benefício? Qual levaria para experimentar em uma caipirinha?

Lembrar da trajetória das cachaças degustadas também é algo que ajuda a trabalhar a memória. Alguns mesmo na degustação menos técnica gostam de fazer registros escritos, isto é bem interessante.

9- Os "Sacis" Aparecem


 Esteja atento às chaves, bolsas, cartões de visita recebidos e cartões de banco, aparelhos de celular e até mesmo cachaças que porventura tiver comprado ou ganho. Ficamos mais displicentes depois de umas e outras e é nesta hora que as coisas somem ou como diz a sabedoria popular: “os sacis aparecem”.

10- “...como se ter ido fosse necessário para voltar...”





 Sem mais delongas, voltar pra casa refletindo, conversando com o motorista ou simplesmente observando a paisagem (quantas vezes fiz isso na barca voltando da Tonel e Pinga) é um bom motivo pra deixar o carro em casa. Além de uma questão de lei, se você está mais "aberto" vai querer aproveitar a volta. E quem não gosta de voltar bem pra casa?

Um abraço forte como cachaça e boas degustações!


terça-feira, 24 de abril de 2018

Botando os pingos nos "is" ou melhor, as Pingas nos barris!

Caros leitores

Estamos desde 2010  compartilhando conteúdos referentes à música brasileira e ao universo da Cachaça.

Nestes últimos anos temos visto proliferar outros canais que também objetivam falar de nossa querida bebida, cada um a seu modo, e neste sentido nos orgulhamos de ser  um dos pioneiros a abordar a cultura brasileira a partir da música e da cachaça para os brasileiros na internet.

Os meios de comunicação têm se dinamizado de forma intensa e a Cachaça também têm mudado assim como o interesse dos seus apreciadores têm se diversificado. Ficamos felizes de fazer parte desta trajetória.

Afim de tornar nossa comunicação mais dinâmica, criamos o perfil no Facebook "Musicachaça", https://www.facebook.com/pg/musicachaca/posts/?ref=page_internal onde temos prestigiado conteúdos mais reduzidos, procurando dialogar com as tendências de comunicação. 

Outra frente de comunicação é o Instagran www.instagram.com/thiagopiresmusicachaca/ onde uma imagem vale menos que uma dose, mas vale mais que muitas palavras (pelo menos ultimamente) e neste sentido o endereço do canal leva o nome do criador (Thiago Pires) e da criatura (Musicachaça), #thiagopiresmusicachaça.

Este canal continua funcionando em seu ritmo de forno a lenha, destinado àqueles que se propõe a degustar a Cachaça e a Música lendo, escutando, quase que no ritmo da roça mas atentos a cada nota.

Ficamos muito felizes com sua visita  ao blog e pedimos que se estendam ao Facebook e ao Instagran, que comentem, divulguem e compartilhem.

Um Abraço forte como Cachaça!



Thiago Pires

quinta-feira, 27 de julho de 2017

O Mistério da Fermentação


Uma característica do universo da cachaça é a diversidade. Temos visto muito se falar da diversidade da cachaça a partir das madeiras para armazenamento. Este assunto é importante mas acaba por ofuscar um outro ponto que é a diversidade de processos fermentativos na bebida, assunto geralmente mais debatido entre produtores e especialistas.

A fermentação é a etapa responsável pelo DNA da bebida. As informações referentes à matéria prima e seu habitat (canavial/campo) estarão presentes no produto final graças ao sucesso da fermentação.

É assim que o doce da cana, do mel, do melado de cana, rapadura, o erval (capim/ mato molhado), o frutado (às vezes até referência de casca de frutas como goiaba verde sugerindo uma “trava” ou “nódoa”), os legumes cozidos (milho, canjiquinha, milho verde cozido, curau de milho, às vezes mandioca e batata doce cozidas), o cheiro de fermentação (massa de pão), o ligeiro cítrico confundido com azedume (bagaço de cana) estarão presentes na bebida.

Para quem acha que isto é pouco lembro que há um repertório de sensações que misturadas podem sugerir o medicinal, o baunilha, floral e até calda de frutas. Em uma Matriz, isto mesmo na cachaça pura/ de inox, sem amadeiramento.

Há pouco tempo atrás era muito comum degustarmos cachaça com gosto de queimado denunciando a presença de oléo fúsel ou furfural na bebida. O processo de queima do canavial para facilitação do corte comprometia e acompanhava a bebida desde sua primeira etapa, corte, até sua última etapa, a degustação. Felizmente para a produção de cachaça de qualidade esse hábito caiu em desuso embora presente de forma ilegal.

Nota-se portanto que a fermentação é algo a ser mais considerado no estudo dos amantes do assunto cachaça.
Elaboração de um pé de cuba



A ideia deste texto é além de apresentar a importância da fermentação para a sensibilidade do degustador, colocar as matrizes (puras/inox) no seu devido lugar de importância onde podem sim apresentar complexidade sensorial. Uma complexidade diferente da encontrada nos amadeiramentos mas não necessariamente menor, pior, ou secundária. Na verdade, pela ordem das das etapas, a complexidade das matrizes é primária, fundamental até para a análise dos exemplares amadeirados. 

Antes falaremos um pouco de história

Foto arquivo histórico cachaça Dama da Noite


Resumidamente a fermentação é a etapa da produção  de cachaça onde as leveduras (micro-organismos) presentes na dorna de fermentação transformam o açúcar do caldo de cana em álcool e gás carbônico.

Do latim fermentare (ferver) a fermentação alcoólica acompanha a humanidade no decorrer da história. A diversidade das culturas agrícolas do globo pode ser percebida pelo produto de fermentações. A cerveja e fermentados como os de mel e uva são testemunhos disto.

O Brasil é bem novo no assunto porém em seus quinhentos anos de história foi apresentando ao mundo fermentados como os de milho (Aluá ou Chicha na américa hispânica) e Mandioca (Cauim) só para falar dos mais conhecidos.
Se por um lado fermentados como os de milho vieram a se propagar e mesmo virar destilado como o Bourbon nos EUA, outros vinhos destilados como a Tiquira (produto da fermentação da mandioca) ficaram restritos à sua área original (Maranhão).

Fermentada a partir das borras do melado (aguardente) ou diretamente do caldo de cana (Cachaça) as aguardentes de cana tem conquistado cada vez mais amantes pelo mundo e chamo atenção para um fato:
 
A cana enquanto matéria prima possui uma característica bem marcante: é extremamente doce, o que lhe confere um frescor sensorial muito diferente de outras matérias primas que ricas em amido ainda precisam passar pela transformação deste componente em glicose, caso do Agave da Tequila ou dos cereais do Uísque. Na verdade no caso do Uísque muito têm se associado o “defumado” da bebida somente aos barris de carvalho para armazenamento sem se considerar que uma das etapas da elaboração da fermentação dos cereais é a interrupção da germinação destes cereais através de fumaça método conhecido como “peat”. Aos interessados recomendo o seguinte vídeo:


Bem, mas se o blog fala de cachaça porque um vídeo sobre uísque? Como já afirmado a matéria prima da cachaça é utilizada praticamente in natura já que só sofre a extração do caldo. Não é cozida ou defumada. É crua, virgem, fresca!

Este é um ponto importantíssimo: o brasileiro de estatura mediana ( como diz Edu Lobo) em 99 por cento dos casos já bebeu um caldo de cana ou mesmo já teve a oportunidade de prová-la no próprio canavial.

Esta é uma referência sensorial crucial para análise das matrizes. Até porque na boca do povo ela é cana, caninha, pau do capuxo, suco de cana...

Na próxima postagem apresentaremos diferentes tipos de fermento. O assunto é abrangente portanto não percam o tempo da fermentação.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Silva Jardim e as Instalações da Tapinuã dos Reis

Silva Jardim na rota turística Fluminense
Este blog se propõe a promover não só a música e a cachaça de alambique. Na verdade estamos falando de cultura brasileira. Junto com a música e a cachaça acabamos promovendo as diferentes regiões de nosso imenso país.

Um tema que deve que ser mais considerado na agenda dos administradores públicos, secretários de turismo, eventos, cultura, é que  a cachaça e a música promovem o turismo.

O turismo de alambique já é praticado em diversos locais do Brasil como nas rotas mineiras (Estrada Real, Serra da Moeda, Salinas), nas Gaúchas e mesmo em locais como a chapada Diamantina na Bahia. Talvez a cidade de Paraty seja um ótimo exemplo de como o poder público pode ser um aliado em promover o turismo de alambique.

Na maioria dos casos este turismo não é sistematizado junto com o poder público, o que que poderia alavancar ainda mais o desenvolvimento humano das regiões (mais postos de trabalho, mais infra- estrutura, mais promoção...)


 Antes de falar dos equipamentos da Tapinuã entraremos na seara de apresentar a cidade de Silva Jardim.

Pedalando da BR101


No ano de 2015 tivemos a oportunidade de viajar de bicicleta de Rio Bonito a Aldeia Velha, distrito mais conhecido por seu turismo rural, suas cachoeiras, e pela cena de Forró, Reggae e Rock que tem se desenvolvido na região.  A cachaça " da viagem" foi a Tapinuã que consegui encontrar no bar do "Linguiça" que além de dono de bar é  informalmente um pouco "Centro de informações turísticas de Aldeia Velha" para quem chega no vilarejo.

E naquele bate-papo descomprometido ficamos sabendo muita coisa de Silva Jardim.  Ficamos sabendo da trilha que liga Aldeia Velha ao encontro dos Rios em São Pedro da Serra (Friburgo). Ficamos sabendo da produção de Palmito Jussara e principalmente o Pupunha, sua imensa reserva de Mata Atlântica e o trabalho de conservação da espécie Mico Leão Dourado outrora quase extinto.

É desta forma que peço a você leitor que dê um confere no vídeo institucional da prefeitura de Silva Jardim (2014) de promoção do turismo na região. Tenho certeza que  você degustará esta matéria com outros olhos.








Instalações de Equipamentos


As instalações da Tapinuã dos Reis As instalações da Tapinuâ) confirmam sua vocação de empresa familiar. Paulo da Tapinuã, engenheiro aposentado adquiriu a propriedade com um amigo e ali montou uma pousada de turismo rural. Como bom mineiro (Itajubá) cultiva os valores regionais de doces feitos com frutas da propriedade, um queijo regional e obviamente cachaça.


Projeto aproveitando o relevo do terreno 


O engenho é todo construído em gravidade. Possui um destilador de fogo direto (Sta Efigênia de coluna e deflegmador) adaptado para um fogareiro a gás. Panela de 200 lts de cobre com pré aquecedor.  

Paulo nos contou que depois que o fiscal do MAPA orientou que fechasse o espaço da destilação optou em utilizar fogo do botijão à gás que passou a compensar já que com este obteve maior controle do aquecimento da panela. Adaptações de cunho prático para preservar o corpo já que o trabalho com a lenha é bem cansativo (principalmente para a coluna).



Sua safra geralmente dura três meses , chegando a dar três alambicadas por dia e sua capacidade de produção é em torno de 10.000 litros por ano de cachaça padronizada para 40°gl. Embora pequeno o projeto é bem funcional.

A justificativa para seu rendimento também  está no fato de padronizar o brix de fermentação em 18° e controla-lo em no máximo 8° dentro da dorna. Sendo assim produz pouco mais de vinte litros por alambicada.


Matéria – Prima e Moagem 




Paulo possui canas que conseguiu com o SNA (Sociedade Nacional de Agricultura) via sindicato rural em Cordeiro na serra fluminense. Ainda não é auto - suficiente tendo que complementar sua produção com cana de produtores de Silva jardim .

Armazenamento


Cachaça Ouro premiada em Concurso antes de ter Registro no MAPA


Sua adega é simples com capacidade de armazenamento de 14.000lts no aço inox  e nas madeiras possui a presença exclusiva do carvalho (15 barris de 200tls).

Padronização do teor do Alcoólico


 Caro leitor você não imagina a dificuldade que foi chegar a um consenso em relação a este item. Segundo Paulo é impossível que uma safra sua seja absolutamente igual a outra. Exemplifica que a cachaça muda constantemente porque ele mesmo têm procurado melhorar sua produção ano a ano. Portanto ele o termo identidade ao invés de padrão. 

Uma característica chama atenção: O sítio Tapinuã possui grande oferta de água (tem uma pequena queda d’agua dentro da propriedade) e é desta que utiliza para "padronizar" seu destilado tendo a branca 43°GL e a amadeirada (envelhecida) 41°GL.


Degustação 


Branca 

Possui uma característica marcante no paladar: Na minha análise um ligeiro mineral. O doce da matéria prima está presente tanto no nariz como no paladar com uma lembrança floral que perde para um acético. Em algumas degustações mais técnicas que fiz pude perceber a referência de melado de cana de açúcar . É bem coerente do olfativo para o paladar. Visualmente não apresenta persistência de borbulhas. Acidez controlada no sensorial com baixíssima acidez pela análise química.

Ouro (carvalho)

A referência do tabaco, do defumado são bem intensas. O baunilha sugere até mesmo um chocolate ou calda de doce com canela. Bala toffe de café. Aos que gostam de amadeiramentos intensos eis uma boa opção. Acidez controlada e bem agradável. Foi a que mais bebi em nossa visita. Apesar de preferir as brancas, a umidade da chuva, o tempo mais frio foram convidativos para o carvalho.

Fermentação


Utiliza de fermento Fleischamn para iniciar o processo e posteriormente continua apenas com as leveduras predominantes do meio.

Próximo Capítulo


Acredito que já conseguiram pegar o espírito da produção da Tapinuã. Na próxima postagem falaremos bastante de fermentação para posteriormente apresentarmos nossa experiência.

Como começamos este capítulo falando de turismo de alambique seguem algumas imagens da pousada da Fazenda Tapinuã que como diz o Paulo tem a cachaça à disposição dos hóspedes. 

Quer motivo melhor para conhecer? 



terça-feira, 2 de maio de 2017

A Tapinuã dos Reis

A Tapinuã dos Reis


Tapinuã dos Reis em suas duas versões


Nas próximas postagens falaremos da Cachaça Tapinuã dos Reis produzida na localidade de  Bananeiras-Silva Jardim- RJ e sua interessante trajetória que embora recente têm muito a acrescentar para o universo da cachaça.

No mês de dezembro de 2016 estivemos no alambique da Tapinuã dos Reis que é capiteaneado pelo Sr Paulo Vieira e aproveitamos a visita para fazer um experimento com fermentação. Por isso falaremos um bocado desta etapa crucial para a identidade da cachaça.
 A fermentação é assunto recorrente entre produtores mas nem sempre considerado pelos apreciadores/degustadores geralmente mais focados na ponta do processo (armazenamento e envelhecimento/ amadeiramento).

Outro ponto que tangenciaremos será a realidade da informalidade assunto que ainda é polêmico e precisa ser considerado não apenas nos termos da legislação mas sobre a perspectiva dos produtores, afinal eles são os protagonistas do fazer cachaça.

 Esta postagem tem a colaboração do amigo e confrade (membro da Confraria de Cachaça Copo Furado do Rio de Janeiro) Paulo Machado que esteve no alambique da Tapinuã dos Reis comigo e se lançou a pesquisar, registrar com fotos e "arregaçar as mangas" viabilizando a postagem e nosso experimento com fermentação.

Ressalto que na reunião aberta da Confraria de Cachaça Copo Furado do mês de maio o Sr Paulo Vieira, rebatizado “Paulo da Tapinuã” passará pela cerimônia de Cananização já que fora eleito nas últimas indicações para membros da Copo Furado.
Além de amigo, Paulo da Tapinuã passa a ser um irmão na cachaça, um Confrade.
Algo a coroar ainda mais seu trabalho e amor pela nossa tão estimada bebida.   

Com licença aos demais leitores, Paulo da Tapinuã:
 “Unidos Beberemos Sozinhos Também”

Uma breve retrospectiva


No ano de 2008 tive a oportunidade de promover um workshop patrocinado pela Cachaça "Bendita" de Dona Euzébia- Cataguazes- MG, da qual fui representante no Rio de Janeiro, chamado “Bate Papo, Bota Pinga” onde além de orientar a degustação da Bendita, apresentava as principais diferenças da cachaça de alambique para a cachaça de coluna e as etapas de produção de cada tipo.

Dentre os presentes estava o Sr Paulo Vieira que vez ou outra apresentava uma pergunta de cunho prático surpreendendo a mim e aos demais presentes.  Na época Paulo tinha acabado de montar seu alambique e estava começando as primeiras destilações.

Passado algum tempo (2009) o Sr Paulo Vieira começou a frequentar as reuniões da Confraria de Cachaça Copo Furado, grupo do qual sou membro. Lá estava o Sr Paulo buscando novidades, informações e sobre tudo aprimorando seus conhecimentos.

Nessa ocasião que pude experimentar pela primeira vez sua cachaça, a Tapinuã dos Reis. Lembro-me que na ocasião foram levantados inúmeros elementos que poderiam ser melhorados na sua cachaça.

Paulo Vieira acolheu as críticas, buscou assessoria técnica especializada e foi aos poucos transformando aquele produto com muito carinho.

Até aí nada muito diferente de várias histórias de cachaça se não fosse a inquietude de seu produtor.

O Pulo do Gato ou um pulo muito alto para um Gato?

Em 2010 Paulo da Tapinuã resolve inscrever um exemplar de sua safra no IV Concurso de Avaliação da Qualidade da Cachaça promovido pelo Instituto de Química da Universidade de São Paulo, a USP, detentora de um dos melhores laboratórios de análise química para cachaça do país.

Obtém a medalha de prata no concurso (segundo lugar). 

O que é interessante é que a Cachaça Tapinuã dos Reis até então não tinha selo do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Isto mesmo, a cachaça tirou o segundo lugar em um concurso de âmbito nacional, estava quimicamente e sensorialmente pronta, mas legalmente não poderia ser comercializada.

Este resultado apontava para realidade das cachaças sem registro no MAPA e a possibilidade destas apresentarem qualidade química e sensorial.

O Tiro que Saiu pela Culatra 


A partir deste momento Paulo da Tapinuã tinha um dilema: Alguns mil litros de cachaça de qualidade que não podiam ser vendidos. Como escutei dele certa vez: "Cachaça é um líquido que não tem liquidez". Imagina!

 De 2010 a 2016  Paulo da Tapinuã procurou adequar seu alambique às exigências do MAPA e pode-se dizer que foram seis anos de muita persistência (pra não dizer teimosia), paciência e dedicação que foram coroados no final de 2016 com a aprovação de suas instalações pelo MAPA. 

Foi no clima de "menino que passa de ano" que fomos ao seu alambique em um chuvoso 14 de dezembro de 2016.
Se quer conhecer ainda mais a cachaça e esta história, não perca a próxima postagem!

segunda-feira, 6 de março de 2017

Dicas de visita à Alambiques

Dicas de visita à Alambiques




Para melhor aproveitar a farta agenda de feriados deste ano seguem algumas dicas para iniciantes no universo da cachaça. Alguns anos de experiência me fazem compartilhar estas dicas que não são necessariamente um manual mas que seguidos, podem evitar ressacas!

1. Visite o alambique preferencialmente no período de safra



Visitar um alambique é sempre interessante mas visitar um alambique em pleno funcionamento é uma experiência para os sentidos. O período de produção pode variar de região para região. No nordeste é  possível encontrar um engenho alambicando no mês de Janeiro ou fevereiro algo bem improvável na região sudeste por exemplo. Em alguns casos mesmo fora do período de safra o produtor alambica ou para poder fazer o corte de um talhão de cana ou até mesmo para realambicar uma cachaça que por algum motivo julgou não estar “no padrão”.

2. Visite um alambique de uma cachaça que já conhece (experimentou)


Quem estuda o universo da cachaça tem sempre curiosidades sobre a produção de uma cachaça que já bebeu. A roda D’agua da Corisco( Paraty- RJ), os Paróis de Jatobá da Colombina (Alvinópolis- MG), o zelo da Werneck (Rio das Flores- RJ) ou o equipamento Tromba de elefante da Canarinha (Salinas- MG) já são elementos para tentar conhecer de perto aquilo que experimentamos tão longe do alambique.

3. Tem que ser bom para as duas partes


Sabemos que nem sempre dá para viajar durante os dias de semana mas lembramos que um alambique é uma unidade produtora, na maioria das vezes familiar. Parar no domingo pela manhã na porteira de um alambique sem aviso prévio pode ser bem inconveniente. Por estas e outras fique atento à próxima dica.


4. Agende sua visita



Os produtores de cachaça costumam receber apresentando a unidade produtora, falando de sua relação e histórico com a bebida e promovendo uma degustação de suas safras. Os rótulos sempre têm indicações de contato como telefone ou email. Planejar a visita é sempre melhor.

Exemplo: Se você não tiver nenhum contato com as cachaças de Paraty e quiser ter esta primeira experiência, o  já tradicional festival da Pinga de Paraty que acontece sempre na terceira semana de agosto é uma ótima oportunidade porém se você quiser conhecer os alambiques esta pode não ser a melhor época pois os produtores destinam toda sua atenção e produção para abastecer os stands do festival. Já tive a oportunidade de chegar em alambique no festival da pinga e produtor não poder dar muita atenção por estar colando rótulos em garrafas.

Importante: Procure ser atento ao nome das pessoas com quem fala. Falou com o João Luiz da Magnífica ou com o Dimas (seu funcionário há tempos?). Isto é será muito importante quando estiver mais próximo do alambique.


5. Geografia


Poucas coisas nos ensinam tanto a divisão geo-política de nossa cidades quanto a cachaça. É importantíssimo conhecer o nome da localidade, do distrito e em alguns casos da comunidade onde a cachaça é feita. Com isso vamos observar que muitas cachaças de Salinas – MG são de Novo Horizonte e região. Portanto fique atento!

Exemplo: A citada Magnífica, é produzida em Vassouras no estado do Rio de Janeiro mas seu acesso é muito mais fácil pela vizinha Miguel Pereira.

Importante: As distâncias vão se tornando cada vez maiores quanto mais para a região norte -nordeste. Erros de comunicação ou interpretação podem fazer a viagem aumentar quilômetros.

6. Disse que vai, vá!


O produtor rural tem uma rotina pautada pelo trabalho. O fato de seu trabalho ser do lado de casa não quer dizer que sempre possa parar para receber um visitante. Por isso se marcou por telefone ou email (whatsapp tem funcionado muito nos interiores) procure ser pontual. A pontualidade e a palavra são atributos valiosos principalmente no mundo rural. Se disse que vai, vá que eles estarão te esperando. Desmarque apenas em casos extremos (chuva, doença, imprevistos). Como escrito no item 4 geralmente os produtores  se preparam para receber os visitantes.

7. O tempo da roça é outro



Isso mesmo! No mundo rural menos é mais. É muito comum em regiões produtoras existirem dois alambiques  muito próximos. Vai por mim, escolha um visite em um dia e no seguinte visite o outro. Fazer as coisas correndo não tem nada a ver com o ritmo rural e mesmo com o ritmo da cachaça. Imagina que você pode dar a sorte de chegar em um engenho e eles estarem alambicando ou o alambiqueiro pedir para você acompanhar a destilação até o corte da cauda? Meio deselegante um visitante dizer não né?

Os produtores de cachaça costumam ser bons de papo (Maria Isabel em Paraty -RJ, Nando Chaves em Cel. Xavier Chaves só para citar dois emblemáticos) por isso reserve este tempo. A prosa é tão sagrada quanto o brinde. Se puder articular uma hospedagem próximo ao alambique melhor ainda. Dê preferência para o turno da manhã onde o alambiqueiro certamente não terá seu horário de trabalho alterado por conta de sua visita. Se tiver que fazer na parte da tarde vá depois do almoço, mas no fim de tarde (16hs por exemplo) já é fim de jornada de trabalho nesses interiores.  

8. Se beber não dirija mesmo



Evite ao máximo dirigir pós alambique. Se tiver que fazê-lo, prepare-se bebendo menos e se hidratando bastante fazendo posteriormente uma refeição reforçada como um almoço e descansar. Alambique é um ótimo programa, evite ir sozinho até para poder dividir essa responsabilidade com outro motorista.

9. Sempre temos que lembrar de alguém


 Mesmo que esteja com a adega cheia é bom lembrar do item 3. Comprar alguma coisa no alambique é super de bom tom. Se não quiser levar cachaça( como assim?) sempre têm alguma pimenta ou outra coisa que no mínimo será bom para estabelecer uma boa relação com aqueles que já abriram seus barris e estão te recebendo.

OBS. Tenho o hábito de pedir o autógrafo dos alambiqueiros.Recomendo. Isto personaliza a cachaça e valoriza ainda mais o trabalho destes!

10. As Águas vão rolar e temos o dia seguinte né



É bom não exagerar .  As lembranças quando são boas não dão ressaca.     

Boas viagens


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

A folia do Santa Marta

Estandarte da folia



Nessas ideias que nos batem  meio que do nada (sou acometido por elas direto) este ano sonhei com uma folia de reis que saía de Laranjeiras e ia até Botafogo. Conversei com algumas pessoas a fim de resolver a folia do lado de cá, laranjeiras, já que do lado de lá já tem sua folia. Confesso que não tive o êxito que queria mas pude conhecer um pouco melhor a famosa folia do Santa Marta.
Palhaços da Folia


O grande Luis Cláudio (sim o Muca) foi quem me colocou em contato com Juninho da folia. Juninho me explicou que seu avó veio de Miracema (noroeste fluminense na divisa do estado do Rio com Minas) e se estabeleceu na Ilha do Governador. Da ilha do governador migrou para a comunidade do Santa Marta levando também o folguedo.
Sr Luizinho (sanfoneiro) e Mestre Riquinho 



Segundo Juninho , as folias do estado do Rio tendem a encerrar suas atividades no período de reis mas as folias da cidade do Rio de Janeiro encerram as atividades no dia vinte de janeiro, por conta do padroeiro da cidade, São Sebastião.





Enfim, esta não é uma “matéria” sobre a folia. É muito mais o compartilhar de uma experiência com um folguedo  de origem rural que já foi muito mais presente e hoje é feito por foliões resistentes e que numa cidade tão urbana como o Rio ainda mantêm o hábito de visitar os donos da casa.




 Ano que vem tem! Quem vem?


Agradecimento



Eu não são tão bom no verso

Mas na arte tenho meu traço

Subimos o Santa Marta com a folia

Na timidez e com certo embaraço

Luis Claudio foi o contato

Que levou ao palhaço Juninho

Bom de verso e importante

Para a folia de Mestre Riquinho

Fica aqui o agradecimento

De Mariana, Jaqueline e Thiago

Louvando a Santo reis

E o nosso padroeiro

São Sebastião do Rio de janeiro

Deixamos aqui o nosso recado

“...Sanfona...”