domingo, 22 de abril de 2012

"Brazilian Rum" never more

“Brazilian Rum Never More”

Realmente não poderia ignorar a mais memorável notícia do cenário da Cachaça produzida neste mês: O reconhecimento por parte do governo americano do nome "Cachaça" e "Cachaça do Brasil" no último dia dez de abril .
Para aqueles que não acompanham muito este processo, é bom ressaltar que o produto cachaça sempre entrou e foi vendido nos Estados Unidos como "Brazilian Rum", o que sempre se configurou em um entrave para a imagem de uma bebida que além de representar uma nação, cada vez mais se afirma como uma grande concorrente dos demais destilados do mercado mundial.
A confusão criada pelo governo americano vem simplesmente do fato de tanto o Rum quanto a Cachaça terem a mesma matéria prima: Cana de açúcar.
Mesmo assim é bom lembrar que o Rum é um destilado do melado de cana fermentado, e a Cachaça um destilado somente do caldo de cana fermentado. Pode parecer que não, mas isto sensorialmente tem lá suas diferenças.
O melado é um super concentrado do caldo de cana, é o caldo aquecido e engrossado pelo calor. Como dizem as cozinheiras mais tradicionais quando ele atinge o "ponto" ou o "puxa" é praticamente a nossa conhecida rapadura que neste Brasil de meu Deus tem pra todos os tipos( Alfinin, batida, com gengibre... ).
Geralmente o melado traz em si a característica mais marcante da cana que é o doce. Em segundo lugar o retrogosto do queimado, ou tostado que pode até sugerir um amargo, mas que é muito agradável. Quanto ao caldo este traz outras características além do doce, como sabores que lembram o metálico, salgado, acético, ácido. No aroma toques que podem ser frutado, de pão, floral dentre outros.
É importante dizer que também fazemos um destilado de melado ou de rapadura, mas que apesar de serem chamados de cachaça, tecnicamente só podem ostentar o nome de aguardente de cana. Estes talvez fossem os verdadeiros "Brazilian Rum". A cristalina do Picão e a Serrinha são exemplos mineiros, assim como várias cachaças de Santa Catarina. No Estado do Rio temos a fábrica de laticínios "Sitio Solidão" de Miguel Pereira que também produz esta "Cachaça de Rapadura".
Não é porque a matéria prima é a mesma que o produto final será o mesmo senão farinha d'agua seria o mesmo que farinha de mesa, de puba, goma de tapioca, maniva(maniçoba) e por aí vai...
Lembrando o emblemático Gérson, jogador de futebol da copa de 70:
"Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa"
A importância do reconhecimento do nome cachaça pelos americanos pode estar no poder da palavra "Cachaça" tão rica quanto a própria bebida( é a palavra com mais sinônimos no Aurélio).Mas não é só isso ! Não se trata só de alavancar vendas como dizem alguns, conquistar mercados. Se trata de reconhecer o Brasil. Reconhecer os brasileiros que como os buritis, as guabirobas, pitombas, Bacuris, cajás, umbus...muitos ainda não conhecem. Reconhecer para poder conhecer, conhecer para poder reconhecer. A importância está também no reconhecimento do trabalho de gente séria que tem suado para dar à imagem da cachaça o valor que merece. O reconhecimento é do gerente de vendas que investiu em uma marca de cachaça de alambique para seu supermercado e certamente não se arrependeu. O reconhecimento é do produtor de feiras e exposições que topou fazer um evento com cachaça em sua capital. O reconhecimento é do consumidor que brigou com o dono do bar que tem as bebidas do mundo todo menos a cachaça.
É uma pena que este reconhecimento tenha sido um pouco tarde, que os americanos precisassem rever sua política de relações externas e passassem a reconhecer por exemplo, que os o turista brasileiro é o que mais gasta em suas terras dentre outros. Pelo visto o Brasil está na moda mesmo!
Espero que cada vez mais o mundo conheça e reconheça a cachaça que é simplesmente a mais brasileira de todas as bebidas e ouso afirmar:
A mais diversa bebida do mundo dos destilados.
Thiago Pires